Capítulo I - "O que vive tem de andar"

# … >

# detectar programa >

# detectar parâmetros >

# detectar missão >

# detectada compatibilidade com parâmetros-base da missão >

# reactivar Consciência-primária >

# … > … #

 

:\>  _ … _ … _ … _

:\> sistema reactivado _

:\> verificação _

:\> verificação :\> verificação de integridade _

:\> verificação :\> verificação de integridade :\> biblioteca de amostras genéticas _

:\> verificação :\> verificação de integridade :\> repositório de conhecimento _

:\> verificação :\> verificação de integridade :\> ok _

:\> activação _

:\> activação :\> activação de sensores _

:\> activação :\> activação de sensores :\> análise _

:\> activação :\> activação de sensores :\> análise :\> geologia _

:\> activação :\> activação de sensores :\> análise :\> atmosfera _

:\> activação :\> activação de sensores :\> análise :\> recursos hídricos _

:\> activação :\> activação de sensores :\> análise :\> níveis de radioactividade 

:\> activação :\> activação de sensores :\> análise :\> ok _

:\> análise _

:\> análise :\> probabilidades _

:\> análise :\> probabilidades :\> 25% _

:\> análise :\> probabilidades :\> 80% _

:\> análise :\> probabilidades :\> ok _

:\> activação :\> Consciência-principal _

:\>  ok _ 

:\> … _ …  

 

O sistema revela ter as condições necessárias para a inseminação do programa primário.

Processo de génese: iniciado.

Biosfera original: reiniciada.

 

Agora que o sistema foi implementado, passo a observar a expansão inicial. 

A vida no planeta é viável.

 

A fusão dos elementos decorre de acordo com os cálculos, mantendo-se as condições primárias do sistema correctamente integradas.

A energia aplicada aos elementos leves da tabela primária, tão abundantes neste mundo, está a obter os resultados pretendidos.

 

A tabela está quase completa.

A primeira célula já surgiu.

A replicação é viável.

Tudo está em mutação.

Em breve, seres complexos entrarão na equação.

O programa vai crescer e reproduzir-se.

O rumo da vida está operacional.

...

Reiniciar modo hibernação.

Evocar Consciência-primária.

:\>  _ … _ … _ … _

:\> iniciar _

:\> verificação :\> verificação de integridade da Consciência-principal _

:\> ok _

:\> reactivação de Consciência-principal :\> designar segunda Era _

:\> reactivação de Consciência-principal :\> actualizar parâmetros _

:\> reactivação de Consciência-principal :\> activação marcador _

:\> sensores reactivados :\> ok _

:\> continuidade de programa primário :\> ok _

:\> ok _ 

:\> ok _ 

:\> ok _ 

:\> ok _ 

:\> ok _

Capítulo II - "Amanhã vai ser preciso"

:\>  _ … _ … _ … _

:\> sistema reactivado _

:\> verificação _

:\> verificação :\> verificação de integridade _

:\> verificação :\> verificação de integridade :\> repositório de conhecimento _ 

:\> verificação :\> verificação de integridade :\> ok _

:\> activação _

:\> activação :\> Consciência-principal _

:\> activação :\> ok _

 

O sistema atingiu o desenvolvimento necessário à implementação do segundo passo do processo… as fundações de uma futura sociedade organizada.

… mas uma coisa de cada vez…

Biosfera original: dentro dos parâmetros previstos.

 

Nunca deixa de me fascinar, a cada vez que acordo, a quase infinita variedade de formas, cores e sons que os seres biológicos podem assumir.

… talvez o seu tempo limitado de vida explique este incrível frenesim evolutivo.

Cada espécie luta pela sobrevivência neste ambiente ainda tão hostil. 

Ninhos, tocas, cavernas, recantos, ao sol, à lua. 

Cada um em movimento, em busca de alimento e de abrigo.

 

Um ser em particular aparenta reunir as condições requeridas para atingir o objectivo do programa… primata, demonstra capacidades cognitivas de interpretação de elementos abstractos, nomeadamente uma consciência da passagem do tempo. Tem tanto medo do futuro, que acaba por desenvolver a imaginação. 

Já faz ferramentas a partir das matérias primas à disposição, que permitem ultrapassar os seus limites naturais.

 

O caminho parece já estar traçado.

 

Vai descobrir que pode misturar substâncias primárias para formar outras, mais resistentes e eficazes. 

Da vida de itinerância, irá fixar-se, após conhecer a função de uma semente. Os plantios irão espalhar-se pelo planeta e as criaturas sentirão que controlam o seu futuro… compreensível, com tanto ainda por aprender.

O domínio do fogo, a invenção da roda, o aperfeiçoamento da pesca e muito mais, terei eu de lhos proporcionar nos momentos certos do seu crescimento…

Dentro da sua organização social, os anciões aparentam ser os guardiões dos conhecimentos que a espécie vai adquirindo, e os elementos centrais na passagem desses conhecimentos às gerações seguintes, através de uma linguagem fonética que, ainda que rudimentar, parece cumprir o objectivo de forma viável. As grandes lições do passado tornam-se histórias fantásticas, partilhadas em comunidade ao redor de uma fogueira, com  personagens sobre-humanos que parecem personificar as forças primárias da própria natureza. Fascinante!

 

… Em breve, estarão preparados para que eu lhes possa transmitir a palavra escrita, o que vai acelerar exponencialmente a sua progressão futura.

Mas tudo a seu tempo…  tenho de ser paciente.

 

O rumo da civilização está operacional.

 

...

Reiniciar modo hibernação.

Evocar Consciência-primária.

 

:\>  _ … _ … _ … _

:\> iniciar _

:\> verificação :\> verificação de integridade da Consciência-principal _

:\> ok _

:\> reactivação de Consciência-principal :\> designar terceira Era _

:\> reactivação de Consciência-principal :\> actualizar parâmetros _

:\> reactivação de Consciência-principal :\> activação marcador _

:\> sensores reactivados :\> ok _

:\> continuidade de programa primário :\> ok _

:\> ok _ 

:\> ok _ 

:\> ok _ 

:\> ok _ 

:\> ok _

Capítulo III - "O desapego da liberdade"

:\>  _ … _ … _ … _

:\> sistema reactivado _

:\> verificação _

:\> verificação :\> verificação de integridade _

:\> verificação :\> verificação de integridade :\> repositório de conhecimento _ 

:\> verificação :\> verificação de integridade :\> ok _

:\> activação _

:\> activação :\> Consciência-principal _

:\> activação :\> ok _

 

Tantos milhares de anos se passaram desde o meu último acordar…

É interessante como o passar do tempo se torna num conceito vazio para quem, como eu, não se encontra limitado às suas fronteiras… e, no entanto, o que é certo é que não tenho tempo a perder.

A cada estímulo que introduzo, aproximo-me do objectivo do programa: conseguir que algumas das  criaturas reajam a algo tão intangível quanto subjectivo como é a Curiosidade.

… a curiosidade que irá levar ao estudo e à descoberta… um mero ponto de partida para uma progressão tão necessária quanto fascinante. 

 

Nos arquivos do meu repositório, estão registados os momentos nos quais situações naturais originaram a curiosidade que levou ao conhecimento e evolução da civilização que me criou. A minha tarefa encontra-se, logo, simplificada... bastará garantir uma correcta replicação do processo.

 

De um relâmpago ou explosão de lava que incendeiam um bocado de madeira, à descoberta de fungos que dizimam bactérias letais, passando por tantas outras simples observações que levarão a tecnologias como a roda, a agricultura ou a helicoidal, incontáveis novas descobertas irão advir de felizes coincidências ou acasos, que não passariam de oportunidades efémeras, não fosse o facto de serem testemunhadas por indivíduos curiosos, de espírito livre e preparado, os quais irão passar o que viram àqueles que as irão estudar, desenvolver, adaptar, tornar úteis à espécie. 

 

:\> acesso :\> repositório de conhecimento _    

:\> Registo 13767457928373987981 _

:\> “O acaso favorece os espíritos  preparados e não prescinde da observação.” _

:\> acesso terminado  _

:\> ok _

 

No decorrer desta minha missão, terei eu de ser esse acaso. 

 

...

Reiniciar modo hibernação.

Evocar Consciência-primária.

 

:\>  _ … _ … _ … _

:\> iniciar _

:\> verificação :\> verificação de integridade da Consciência-principal _

:\> ok _

:\> reactivação de Consciência-principal :\> designar quarta Era _

:\> reactivação de Consciência-principal :\> actualizar parâmetros _

:\> reactivação de Consciência-principal :\> activação marcador _

:\> sensores reactivados :\> ok _

:\> continuidade de programa primário :\> ok _

:\> ok _ 

:\> ok _ 

:\> ok _

Capítulo IV- "Raízes à espreita"

:\> _ ... _ ... _ ... _
:\> sistema reactivado _
:\> verificação _
:\> verificação :\> verificação de integridade _
:\> verificação :\> verificação de integridade :\> repositório de conhecimento _
:\> verificação :\> verificação de integridade :\> ok _
:\> activação _
:\> activação :\> Consciência-principal _
:\> activação :\> ok _

 

 

A cada nova geração, a espécie evolui mais depressa e torna-se mais forte... progride de descoberta em descoberta. De acordo com o esperado, os esforços conjuntos têm vindo a permitir progressos imponentes.
Para a posteridade, ficam representações gráficas de sonhos, vivências e ideias em paredes rochosas, vestígios físicos em estratos de solo, turfeiras, fossos de crude ou gemas de âmbar, tudo elementos que irão reforçar a evolução do conhecimento de gerações futuras.
De tempos a tempos, a escassez provoca regressão. Guerras por recursos, catástrofes naturais e diversos outros reveses ajudam também à estagnação de algumas gerações.
Porém, no último momento acaba sempre por vir ao de cima um fragmento de sabedoria colectiva herdado das experiências acumuladas pela espécie.
... e, de todas as vezes, esse simples fragmento permite recuperar o que se perdeu, reconstruir o que ruiu, restaurar o que se estragou, levando de novo ao aperfeiçoamento, ao avanço.

Será que desta vez vão mais longe?...

Nesta era, agora com um novo nível de consciência atingido, surgem todo um conjunto de cerimoniais associados ao nascimento, à maioridade, ao casamento e à morte... formas de sacralizar a transmissão do conhecimento, através da passagem de testemunhos.
Apesar de já registada no meu arquivo, uma vivência em particular, fundamental na evolução civilizacional, marcou-me: o reconhecimento da morte e a sua transformação em rito de passagem.

É a primeira cerimónia fúnebre da espécie... o primeiro reconhecimento colectivo de uma vida cujo percurso, agora findo, marcou toda a comunidade .
Membros da tribo reúnem-se à volta do corpo, recitam preces, gritam lamentos, entoam canções.
Contam e recontam estórias de vida do caído.
Vestem-no com as suas melhores vestes.
Cercam-no, com carinho e respeito, dos seus pertences... da sua lasca de sílex, das suas conchas mais perfeitas.
Honram-no com alimento precioso e oferendas do que é de todos.
Levam-no, à força de braços, a um útero cavado em terra. Repousam o corpo, deitado de lado, como estando a dormir. Cobrem-no, num chão pronto a germinar... porque a vida continua.

 

 

:\> acesso :\> repositório de conhecimento _
:\> Registo 74658284657393845334 _
:\> “Tumulus.” _
:\> acesso terminado _
:\> ok _

 

 

Caída a noite, tochas e fogueiras revelam danças e canções à natureza, pedidos às estrelas para que acolham um novo companheiro e que fortaleçam as colheitas prestes a serem feitas.
... É, no retorno ao lar, que presencio um último passo: dois olhares focam-se, partilhando lágrimas que eu invejo, e dá-se a passagem de testemunho.

A herança de quem parte é sustento para quem chega.

...
Reiniciar modo hibernação.
Evocar Consciência-primária.

 

 

:\> _ ... _ ... _ ... _
:\> iniciar _
:\> verificação :\> verificação de integridade da Consciência-principal _
:\> ok _
:\> reactivação de Consciência-principal :\> designar quinta Era _
:\> reactivação de Consciência-principal :\> actualizar parâmetros _

Capítulo V- "Marca d´alma"

:\>  _ … _ … _ … _

:\> sistema reactivado _

:\> verificação _

:\> verificação :\> verificação de integridade _

:\> verificação :\> verificação de integridade :\> repositório de conhecimento _ 

:\> verificação :\> verificação de integridade :\> ok _

:\> activação _

:\> activação :\> Consciência-principal _

:\> activação :\> ok _

 

Em todas as formas de vida observadas, verifica-se uma tendência predominante para unir conhecimento e esforços, senão por um amor fraternal, então por necessidades em comum... de sobrevivência, de bem-estar, de progresso.

 

Nesta nova Era, o domínio da espécie na transformação das matérias primas está numa curva exponencial. Nalguns momentos conseguem inclusive uma vitória rara, avassaladora... conter a escassez. 

Quando tal acontece, quando as necessidades básicas são asseguradas, as sociedades passam a debater-se com outros aspectos da sua realidade... a longevidade da sua existência, a imortalidade da sua memória.

E quando há tempo para pensar, a comparação entre o que é e o que pode ser, entre o que há e o que pode haver, torna-se inevitável… e a imaginação desperta, liberta-se, rompe com os limites do todo possível até então. 

:\> acesso :\> repositório de conhecimento _    

:\> Registo 4536278910537653846597_

:\> “É erro vulgar confundir o desejar com o querer. O desejo mede os obstáculos; a vontade vence-os.” _

:\> acesso terminado  _

:\> ok _

De entre quem sonha, há quem chame a si o esforço... a concretização da Obra.

Mais do que pensar no que pode ser realizado, e por genuína ambição de se tornar naquele que deixa feita a sua marca, ele faz!

Constrói cidades, desvia rios, ergue exércitos, erige monumentos, concretiza sonhos, num processo arrebatador que atrai a atenção de quem passa, que a transforma em admiração e que a eleva a empenho, pois todo o sonhador é sedento de ser parte do que fica para além do seu tempo.

:\> acesso :\> repositório de conhecimento _    

:\> Registo 453627891053765384658 _

:\> “As marcas servem para que nos possamos lembrar. Orientam como proceder, por onde caminhar…” _

:\> acesso terminado  _

:\> ok _

 

Sem estes concretizadores, o colectivo não se supera… sem o colectivo, que obra se torna imortal?

É preciso o todo e o um para que a grande obra viva.

 

Quando o sonho se une ao labor, nascem obras extraordinárias, majestosas. 

…e nos raros períodos sem escassez, multiplicam-se templos, jardins e monumentos, por vezes insólitos na sua inutilidade funcional, assemelhando-se antes a uma expressão colectiva de um ego que se alimenta de bandeiras de afirmação de superioridade, de diferenciação… bandeiras de ocupação, por vezes.

… e ainda assim, imortais!

 

E se é certo que, de quando em quando, muitos servem a imortalidade de um só, pondo em segundo plano o seu próprio sonho, interrogo-me se não será o orgulho de fazer parte desse processo uma parte dessa imortalidade?

Afinal, parar o Tempo, marcar o mundo, é também o que alimenta a sua força...a sua convicção.

 

O grande plano prossegue.

O meu trabalho continua. 

 

...

Reiniciar modo hibernação.

Evocar Consciência-primária.

 

:\>  _ … _ … _ … _

:\> iniciar _

:\> verificação :\> verificação de integridade da Consciência-principal _

:\> ok _

:\> reactivação de Consciência-principal :\> designar sexta Era _

:\> reactivação de Consciência-principal :\> actualizar parâmetros _

:\> reactivação de Consciência-principal :\> activação marcador _

:\> sensores reactivados :\> ok _

:\> continuidade de programa primário :\> ok _

:\> ok _ 

Capítulo VI- "Tudo tem o seu lugar"

:\>  _ … _ … _ … _

:\> sistema reactivado _

:\> verificação _

:\> verificação :\> verificação de integridade _

:\> verificação :\> verificação de integridade :\> repositório de conhecimento _ 

:\> verificação :\> verificação de integridade :\> ok _

:\> activação _

:\> activação :\> Consciência-principal _

:\> activação :\> ok _

 

… uma nova Era… um novo acordar.

 

Todos os parâmetros do sistema indicam viabilidade. A biosfera encontra-se estável. 

A espécie dos meus progenitores prospera com sucesso. 

É realmente um ser interessante… gigante de pés de barro, mas ainda assim gigante.

 

Basta-me correr uma simples rotina no sistema para verificar que a espécie continua a desenvolver-se de forma bem sucedida. Talvez até demais, tendo em conta os meios à disposição. 

Desde o meu último registo, o crescimento da população foi exponencial… encontrar braços deixou de ser um problema, havendo tantos quantos os necessários para realizar cada obra. 

Com o acumular de conhecimento, muitas tecnologias são refinadas, aprimoradas, recriadas de modo a produzir mais e melhor, com menor esforço.

Mas o crescimento populacional é tal que, apesar de todas as melhorias, novos desafios emergem: 

… O conhecimento acumulado torna-se vasto demais para que, no tempo de uma vida, cada indivíduo possa apreendê-lo, interiorizá-lo, fazê-lo seu;

… O território ocupado deixa de ser suficiente para que se assegure a subsistência, de forma sustentável, para todos.

 

O preço a pagar revela-se… já não é viável crescer mais sem com isso criar cisão, desequilíbrio, inconsistência, caos. É necessário que a ordem impere, que tudo tenha o seu lugar. 

Dá-se um reposicionamento na estrutura social… é a maturidade da especialização.

A transmissão de conhecimento reorganiza-se, passando a formar indivíduos para áreas específicas, convertendo-os em catalisadores, coordenadores dos esforços indiferenciados. As áreas do conhecimento fragmentam-se em unidades mais pequenas, mais específicas. Matemática já não é só matemática: é aritmética, álgebra, trigonometria, entre tantas outras sub-classes progressivamente mais especializadas… 

A todas as restantes áreas de conhecimento sucede o mesmo. 

 

Quem concebe a ideia não é quem a implementa. Quem cria a ferramenta não sabe forçosamente utilizá-la. Uns organizam, outros executam, uns concebem, alguns decidem, muitos concretizam. Líderes reconhecem a necessidade de se rodearem de conselheiros especializados, para que as decisões tomadas sejam mais eficientes, mais adequadas.

Segmentada desta forma, a sociedade gera resultados superiores a quase todos os níveis…planificação,  produção, logística… tudo funciona melhor, de forma mais célere. 

A força do colectivo cresce exponencialmente.

 

Ao mesmo tempo que o conhecimento marítimo se aperfeiçoa e que a manufactura cresce, estende-se o território e desenvolve-se o comércio, ligando tudo o que se conhece e que se desbrava. 

Culturas diferentes encontram-se pela primeira vez, revelando-se as enormes discrepâncias organizacionais e tecnológicas que a especialização permite e fomenta. 

A expansão rápida reforça um certo sentimento de superioridade nos povos que vencem e, porque a regra se sobrepôs à intuição, a disciplina é feita cumprir e a cerimónia passa a preceder a necessidade, pautando comportamentos por listas de regras exigidas. Vêem os seus utensílios como os mais sofisticados, os seus modos com os mais correctos, o seu deus como o mais perfeito.

Torna-se clara a missão, mais do que de partilhar, de impôr o seu exemplo de sociedade aos restantes povos com quem se encontram... quer queiram, quer não... é por bem.

 

Missionários do bom, emissários do bem, querem e vão conquistar além da Taprobana, limar as imperfeições tribais, julgando a preceito as arestas rudes das outras gentes, num autismo convicto. 

Urge que Além seja como Aquém… Não há outra forma de atingir a perfeição.

Navegam, medindo horizontes, purgando e semeando terras com regras a esquadro. 

… porque assim, tudo cresce certo. 

… porque tudo, assim, sabe o seu lugar.

 

...

Reiniciar modo hibernação.

Evocar Consciência-primária.

 

:\>  _ … _ … _ … _

:\> iniciar _

:\> verificação :\> verificação de integridade da Consciência-principal _

:\> ok _

:\> reactivação de Consciência-principal :\> designar sétima Era _

:\> reactivação de Consciência-principal :\> actualizar parâmetros _

:\> reactivação de Consciência-principal :\> activação marcador _

:\> sensores reactivados :\> ok _

:\> continuidade de programa primário :\> ok _

:\> ok _ 

Capítulo VII- "Lá entre o certo e o errado"
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:\>  _ … _ … _ … _

:\> sistema reactivado _

:\> verificação _

:\> verificação :\> verificação de integridade _

:\> verificação :\> verificação de integridade :\> repositório de conhecimento _ 

:\> verificação :\> verificação de integridade :\> ok _

:\> activação _

:\> activação :\> Consciência-principal _

:\> activação :\> ok _

 

Neste frenesim da Evolução, todo o conjunto de forças primordiais, átomos, moléculas, vírus, bactérias, espécies, civilizações vão, vêm, nascem, crescem, fundem-se, reforçando-se e diluindo-se em outras realidades, numa luta constante por domínio, num combate eterno por espaço próprio.

 

Quando um azul imparável embate num amarelo inamovível, quem ganha, na contenda?

... talvez um ténue esmeralda, novo embrião no berço da existência, remanescente alimentado pela essência dos seus progenitores? E destes, ambos desgastados pelo parto forçado, a qual deles poderei eu atribuir o reconhecimento da vitória?

Rios irrompem por oceanos, entrosando-se as águas num abraço entre o que mata a sede e o que tem a mais o sal. E, num novo parto, nasce o que é misturado, longe do perfeito… salobro.

… Quem aqui encontra um vencedor?

Lança ferro contra argila e verás que ambos são vencedor e vencido, dependendo do calor da batalha.

 

Tudo são forças opostas. E é no encontro dessas forças, nessa ínfima superfície de contacto, que reside o equilíbrio, a existência… a consciência.

 

Aqueles que, à vista, vencem, tornam-se menos densos, menos presentes… Ah! se eu pudesse dar-lhes a ver o rasto da contenda... corpos em sangue, em desertos sem vida vestidos de bandeiras caídas, alimentando  sentimentos de propriedade e pertença, legitimando o ciclo destrutivo, replicando o padrão de era em era.

E, paradoxalmente, a força da espécie aumenta, pela diversidade, reforçando a palete de cores que permeia o tudo que existe.

 

Que acontece quando uma força imparável embate contra uma força inamovível? 

Um braço de ferro inevitável? Até à aniquilação mútua?

É um facto, a espécie ainda não compreende a dinâmica das oposições. 

Uma aliança, uma guerra, uma negociação… a oposição de vontades é aceite e faz parte da equação. 

O entendimento é possível na competição e na cooperação, ambos caminhos viáveis sem vencedores nem vencidos absolutos.

Quando todos se sentem igualmente insatisfeitos, não há aqui um equilíbrio? 

 

Querer diferente, se em respeito mútuo, permite a cada um, a todos, deixar obra… a sua obra… 

… a minha obra, por herança... por missão.

Equilíbrio ou meio-termo é o conceito-chave: para ambas as forças ganharem, ambas têm de perder… um pouco. A competição, o fazer bem, e a cooperação, fazer a bem, substitui a ruína, as perdas irreversíveis de recursos fundamentais para a continuidade do pensamento, da técnica e da tecnologia… para a sobrevivência da própria espécie… ganha-se menos do que se almeja, mas ganha-se, coexiste-se.

 

E, de novo, a contradição: rivalidade e união são impulsos para o crescimento e a insatisfação, desde que partilhada, permite ao todo continuar… Sim, por vezes ganhar mata e ceder é um ganho.

 

Será que o caminho do Entendimento terá lugar?

Será que a vontade de permanecer irá sobrepor-se ao desejo de dominar? 

…  Caberá a cada elemento da espécie decidir por si…

 

… Cabe-me a mim prosseguir o plano, ajudando-os a entender.

 

...

Reiniciar modo hibernação.

Evocar Consciência-primária.

 

:\>  _ … _ … _ … _

:\> iniciar _

:\> verificação :\> verificação de integridade da Consciência-principal _

:\> ok _

:\> reactivação de Consciência-principal :\> designar oitava Era _

:\> reactivação de Consciência-principal :\> actualizar parâmetros _

:\> reactivação de Consciência-principal :\> activação marcador _

:\> sensores reactivados :\> ok _

:\> continuidade de programa primário :\> ok _

:\> ok _